O governo federal deseja aumentar a importância da agricultura familiar como fornecedora de matéria-prima para a produção de biodiesel. Esse planejamento terá uma importante aliada: a Petrobras. Uma prova de que essa idéia será desenvolvida foi dada na manhã de ontem, quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, empossou os diretores da subsidiária recém-criada Petrobras Biocombustível e inaugurou uma usina de biodiesel em Candeias (BA). O complexo baiano terá capacidade para produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Em agosto, a Petrobras finaliza os testes e inicia a operação de duas outras usinas, em Montes Claros (MG) e Quixadá (CE), que têm a mesma capacidade de produção da unidade de Candeias. As três usinas somam um investimento de cerca de R$ 295 milhões e geram trabalho e renda para 55 mil agricultores familiares. A gaúcha Intecnial é a empresa contratada para construir esses complexos.Na manhã de ontem, em Candeias, vestido informalmente, com uma camisa amarela de manga curta, Lula arrancou vários aplausos da platéia formada principalmente por funcionários da usina. Ele novamente defendeu que o programa brasileiro de biocombustíveis não é responsável pela elevação dos preços dos alimentos no mercado internacional.Lula também enfatizou a importância de o ex-ministro de Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto ser agora o diretor de desenvolvimento agrícola da Petrobras Biocombustível. "Alguém que já foi para o campo sabe como vive o pessoal", disse Lula. O atual ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, será o presidente do Conselho de Administração da Petrobras Biocombustível. O presidente relatou no discurso que o Bndes deve financiar cerca de R$ 25 bilhões para agricultores familiares até 2010. Os recursos deverão ser empregados, principalmente, na aquisição de cerca 60 mil tratores.Outra pessoa que foi muito aplaudida no evento foi a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela destacou que o Brasil já é o maior produtor mundial de etanol e o terceiro de biodiesel (atrás somente de Estados Unidos e Alemanha). Dilma também salientou que a agricultura familiar é estratégica para o programa de biodiesel brasileiro. Além da questão social, ela citou o fato de que essa produção não está sujeita à volatilidade internacional dos preços das oleaginosas. O desejo de Dilma é de que 50% a 70% das matérias-primas usadas para fabricar o biodiesel (que podem ser óleos vegetais e animais) sejam provenientes da agricultura familiar.Ela ainda lembrou que o Brasil busca a produção do biodiesel não porque está faltando petróleo. Pelo contrário, "produzimos biodiesel ao mesmo tempo em que nos tornamos donos de uma das maiores reservas mundiais (de petróleo)", disse a ministra, citando a camada pré-sal. "Estamos produzindo biodiesel porque temos a convicção de que o combustível renovável pode servir para que as populações do mundo - especialmente a África e a Ásia - possam ter alimento e energia conjuntamente". Para Dilma, estes dois pontos são fundamentais: segurança alimentar e energética. "E o Brasil prova que nós não só trataremos da emissão de poluentes e segurança climática, mas oferecemos um instrumento de combate à fome e à falta de energia", afimou Dilma. O presidente falou ainda sobre a crise financeira com origems no Estados Unidos. "Se a crise tivesse acontecido há cinco anos, o Brasil teria uma pneumonia. Estávamos numa boa até os Estados Unidos entrarem em crise por causa desse sub prime. Se vocês me perguntarem do que se trata eu não vou saber responder direito. Mas é tudo originado na especulação do mercado", disse. Ele explicou a crise dizendo que, nos Estados Unidos, "quando vendem uma casa para pessoa, se esta casa se valorizar, a diferença entre o que a pessoa pagou e o que ela vale, pode ser tomada emprestado no banco. Só que deu zebra. As pessoas foram se endividando e não tiveram como pagar", afirmou Lula. Conforme o presidente, o Brasil não se preocupa com os problemas nos EUA. Ele ressaltou, porém, que foi "pego de surpresa com a inflação mundial". "Entre os países emergentes, a nossa é a mais baixa e está controlada", completou. Segundo o presidente, a medida para impedir uma volta de inflação forte no País é aumentar a produção.terça-feira, 19 de agosto de 2008
GOVERNO QUER PRIORIZAR A PRODUÇÃO FAMILIAR
O governo federal deseja aumentar a importância da agricultura familiar como fornecedora de matéria-prima para a produção de biodiesel. Esse planejamento terá uma importante aliada: a Petrobras. Uma prova de que essa idéia será desenvolvida foi dada na manhã de ontem, quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, empossou os diretores da subsidiária recém-criada Petrobras Biocombustível e inaugurou uma usina de biodiesel em Candeias (BA). O complexo baiano terá capacidade para produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Em agosto, a Petrobras finaliza os testes e inicia a operação de duas outras usinas, em Montes Claros (MG) e Quixadá (CE), que têm a mesma capacidade de produção da unidade de Candeias. As três usinas somam um investimento de cerca de R$ 295 milhões e geram trabalho e renda para 55 mil agricultores familiares. A gaúcha Intecnial é a empresa contratada para construir esses complexos.Na manhã de ontem, em Candeias, vestido informalmente, com uma camisa amarela de manga curta, Lula arrancou vários aplausos da platéia formada principalmente por funcionários da usina. Ele novamente defendeu que o programa brasileiro de biocombustíveis não é responsável pela elevação dos preços dos alimentos no mercado internacional.Lula também enfatizou a importância de o ex-ministro de Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto ser agora o diretor de desenvolvimento agrícola da Petrobras Biocombustível. "Alguém que já foi para o campo sabe como vive o pessoal", disse Lula. O atual ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, será o presidente do Conselho de Administração da Petrobras Biocombustível. O presidente relatou no discurso que o Bndes deve financiar cerca de R$ 25 bilhões para agricultores familiares até 2010. Os recursos deverão ser empregados, principalmente, na aquisição de cerca 60 mil tratores.Outra pessoa que foi muito aplaudida no evento foi a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela destacou que o Brasil já é o maior produtor mundial de etanol e o terceiro de biodiesel (atrás somente de Estados Unidos e Alemanha). Dilma também salientou que a agricultura familiar é estratégica para o programa de biodiesel brasileiro. Além da questão social, ela citou o fato de que essa produção não está sujeita à volatilidade internacional dos preços das oleaginosas. O desejo de Dilma é de que 50% a 70% das matérias-primas usadas para fabricar o biodiesel (que podem ser óleos vegetais e animais) sejam provenientes da agricultura familiar.Ela ainda lembrou que o Brasil busca a produção do biodiesel não porque está faltando petróleo. Pelo contrário, "produzimos biodiesel ao mesmo tempo em que nos tornamos donos de uma das maiores reservas mundiais (de petróleo)", disse a ministra, citando a camada pré-sal. "Estamos produzindo biodiesel porque temos a convicção de que o combustível renovável pode servir para que as populações do mundo - especialmente a África e a Ásia - possam ter alimento e energia conjuntamente". Para Dilma, estes dois pontos são fundamentais: segurança alimentar e energética. "E o Brasil prova que nós não só trataremos da emissão de poluentes e segurança climática, mas oferecemos um instrumento de combate à fome e à falta de energia", afimou Dilma. O presidente falou ainda sobre a crise financeira com origems no Estados Unidos. "Se a crise tivesse acontecido há cinco anos, o Brasil teria uma pneumonia. Estávamos numa boa até os Estados Unidos entrarem em crise por causa desse sub prime. Se vocês me perguntarem do que se trata eu não vou saber responder direito. Mas é tudo originado na especulação do mercado", disse. Ele explicou a crise dizendo que, nos Estados Unidos, "quando vendem uma casa para pessoa, se esta casa se valorizar, a diferença entre o que a pessoa pagou e o que ela vale, pode ser tomada emprestado no banco. Só que deu zebra. As pessoas foram se endividando e não tiveram como pagar", afirmou Lula. Conforme o presidente, o Brasil não se preocupa com os problemas nos EUA. Ele ressaltou, porém, que foi "pego de surpresa com a inflação mundial". "Entre os países emergentes, a nossa é a mais baixa e está controlada", completou. Segundo o presidente, a medida para impedir uma volta de inflação forte no País é aumentar a produção.
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